‘Golpe da Fé’: pastor investigado por pirâmide prometia retorno maior a fiéis da própria igreja
18/08/2026
(Foto: Reprodução) Pastor de Niterói é investigado por esquema de pirâmide
O pastor Roberto Vieira Soares, alvo de buscas nesta terça-feira (18) em uma investigação sobre pirâmide financeira, prometia rendimentos maiores a investidores da sua congregação, a Igreja Apostólica Vida e Adoração, em Niterói — mas ao menos 7 registros de ocorrência contra o religioso dão conta de calotes e prejuízo de R$ 1 milhão.
Agentes da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) cumpriram 39 mandados de busca e apreensão contra 12 alvos no Rio de Janeiro e em São Paulo. Um dos endereços foi uma mansão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, que pertence a Roberto.
“Esse pastor utilizava o púlpito como um verdadeiro balcão de negócios”, afirmou o delegado Vinícius Miranda.
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O pastor Roberto Vieira Soares, da Igreja Apostólica Vida e Adoração
Reprodução
10% para a Igreja
Segundo o depoimento de uma das vítimas, o pastor afirmava que os fiéis da Vida e Adoração teriam retorno de 10% ao mês, enquanto pessoas sem vínculo com a igreja receberiam 5%. A promessa era de rendimentos mensais e devolução integral do valor investido após 12 meses.
Segundo Miranda, no começo o pastor fazia os pagamentos. “Com isso, atraía mais pessoas”, explicou. “Só que, como em toda pirâmide, depois de um certo momento ele só arrecadava os valores e não enviava mais os pagamentos.”
Para a delegacia, Roberto usava sua influência religiosa a fim de atrair fiéis e pessoas próximas para aplicações financeiras na GAL Invest Bank, instituição digital conhecida como “Banco do Pastor”.
Uma das vítimas relatou à polícia que o pastor falava frequentemente sobre os investimentos e chegou a realizar reuniões fora dos cultos para apresentar o negócio. Com base nas garantias oferecidas, ela afirma ter investido R$ 150 mil.
“Quando passavam a ter problema no fluxo de pagamento, outros indivíduos da organização criminosa alegavam que contas estavam bloqueadas ou que a empresa estava com problema de fluxo de caixa, a fim de postergar e tentar ludibriar cada vez mais as vítimas pelo fato de elas não estarem recebendo o rendimento combinado”, explicou o delegado Renan Mello.