Justiça manda Meta pagar R$ 50 mil a Miss São Paulo por não excluir na íntegra comentários racistas

  • 21/08/2026
(Foto: Reprodução)
Milla Vieira foi eleita 'Miss Universe São Paulo' em 2024 Reprodução A Justiça de São Paulo determinou que a Meta, dona do Instagram, pague R$ 50 mil à modelo Milla Vieira, eleita Miss Universe São Paulo em julho de 2024, por não ter derrubado na íntegra comentários racistas feitos contra ela nas redes sociais. Milla foi alvo de ataques depois da divulgação do resultado do concurso. Entre as mensagens, havia comentários questionando a vitória da modelo, que é negra, como “ganhou pela cota, só pode” e “calado eu me deito, sem processo me levanto”. Um dos ataques também chamou a modelo de “miss Cracolândia” (veja mais abaixo). Segundo o advogado Eduardo Lemos Barbosa, responsável pela defesa da modelo, o Instagram manteve parte do material acessível mesmo depois de uma decisão liminar determinar que os comentários fossem excluídos. “Sem manifestação da parte requerida, reconheço o descumprimento da ordem judicial, acolhendo, via reflexa, as razões aportadas pela autora e aplico a multa já fixada de R$ 50.000,00, por meio dos sistemas de bloqueios”, escreveu o juiz da 2ª Vara Cível de São Paulo, pelo Foro Regional Tatuapé, em decisão do dia 14 deste mês. Cabe recurso. Ainda em 2024, a Justiça havia determinado que a empresa fornecesse os endereços de IPs de 93 usuários que fizeram os comentários. Segundo a defesa, a entrega também foi parcial e ocorreu fora do prazo. A TV Globo procurou a Meta, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Ao comentar a decisão, Milla Vieira disse que pretende usar a visibilidade conquistada como Miss São Paulo para conscientizar sobre ataques nas redes sociais. “Fico feliz em poder usar a visibilidade e a voz que conquistei como Miss São Paulo para transformar uma experiência tão dolorosa em conscientização. Quando ganhei o concurso, em 2024, fui alvo de uma onda de ataques nas redes sociais, inclusive racistas, que tentavam desmerecer minha conquista e o meu mérito", disse. "Tudo isso aconteceu enquanto eu ainda disputava o Miss Brasil. Foi um período extremamente difícil, mas decidi não aceitar aquilo em silêncio. Essa vitória não é apenas minha. É de todas as pessoas que já foram atacadas, humilhadas ou perseguidas atrás de uma tela e sentiram que não poderiam fazer nada." Ela ainda afirmou que as plataformas precisam assumir responsabilidade e que a sociedade precisa entender que liberdade de expressão não é liberdade para destruir alguém. "Às vésperas do Setembro Amarelo, essa discussão se torna ainda mais necessária. Por trás de cada perfil existe um ser humano, e palavras podem ter consequências muito maiores do que imaginamos. Os R$ 50 mil são irrisórios diante dos danos que esses ataques causaram e poderiam ter causado. O verdadeiro valor dessa decisão é a mensagem que ela deixa: a internet não pode ser uma terra sem responsabilidade. Se a minha voz fizer com que outras vítimas entendam que não precisam permanecer em silêncio, então transformei dor em propósito", ressaltou. Ataques nas redes Comentários apresentados à Justiça; e comentários nesta quarta-feira Reprodução Os comentários criminosos foram feitos nas redes sociais após a divulgação do resultado do concurso, realizado em 24 de julho. Diversos usuários escreveram contestando a vitória de Milla, uma mulher negra. Entre as frases, estavam: "Ganhou pela cota, só pode"; "Calado eu me deito, sem processo me levanto"; "Por que agora tem cota reservada nestes concursos?" "Perderam a noção de beleza mesmo, lacração tá f... hoje em dia". Em entrevista à GloboNews, na época, a modelo falou sobre o sonho de vencer o concurso e a indignação ao saber dos ataques. “Eu ganhei um concurso que era meu sonho participar. No dia seguinte, quando eu abri a minha rede social, eu já comecei a entender e ver os ataques direcionados a mim de forma gratuita”, relatou a miss. “Eu percebi que estou em todas as redes sociais, mas não de uma forma positiva. Infelizmente, de uma maneira bem negativa, as pessoas me comparando a animais”, relatou Mila depois que começou a ler os ataques racistas. “Entre as 31 candidatas, todas tinham as mesmas chances, e eu fui fazendo meu trabalho dia após dia, me dedicando muito, me preparando muito. Era aula de comunicação, oratória. Eu ganho o concurso e não sou merecedora? Conversando com os meus coordenadores, eles me contaram que a minha vitória foi unanimidade entre os jurados”, relatou a miss. Comentários racistas em publicação sobre a Miss São Paulo Reprodução Adriana Camila, conhecida como Milla Vieira, nasceu na Zona Norte de São Paulo e trabalha desde os 11 anos, quando vendia doces na barraca dos pais. Em 2014, ela venceu um concurso de miss e foi para a Polônia representar o Brasil. Depois da disputa, ela começou a carreira de modelo fora do país. Segundo a defesa, ela aprendeu inglês, espanhol e italiano. Em 2021, Milla voltou ao Brasil. Neste ano, ela participou do concurso Miss Universe São Paulo, em julho, e foi eleita. Desde então, a modelo passou a receber ataques pelas redes sociais. Miss Universe SP relata ataques racistas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/08/21/justica-manda-meta-pagar-r-50-mil-a-miss-sao-paulo-por-nao-excluir-na-integra-comentarios-racistas.ghtml


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