Pediatras fazem alerta para o uso de canetas emagrecedoras por crianças e adolescentes e apontam riscos à saúde
26/08/2026
(Foto: Reprodução) Sociedade Brasileira de Pediatria alerta para riscos de canetas emagrecedoras em crianças e adolescentes
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou um alerta sobre o uso de canetas emagrecedoras por crianças e adolescentes. Segundo a entidade, os medicamentos podem trazer riscos à saúde e afetar o desenvolvimento físico de pessoas que ainda estão em fase de crescimento.
O alerta ocorre após vídeos de mães aplicando os medicamentos nos filhos circularem nas redes sociais (veja no vídeo acima). Em uma das gravações, uma mãe afirma que aplica o medicamento na filha de 17 anos por indicação médica. Em outra publicação, uma mulher diz que levou a filha, de 11 anos e 70 kg, ao médico e recebeu recomendação para o uso da tirzepatida.
As postagens também recebem comentários de adolescentes interessados em usar os medicamentos. Em um deles, um usuário do TikTok afirma ter 13 anos, 79 kg e 1,70 metro de altura e pergunta se pode fazer o tratamento.
Quais os riscos?
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o uso das canetas pode diminuir a ingestão de proteínas e minerais importantes para o desenvolvimento.
"Ele vai diminuir a ingestão de proteínas e de minerais que vão afetar o seu crescimento, principalmente o estirão do crescimento do adolescente", alerta Crésio Alves, presidente do Departamento Científico de Endocrinologia da SBP.
Outro possível efeito é a diminuição e a perda de massa muscular. "Um segundo efeito adverso nessa faixa etária é a diminuição e perda de massa muscular", continua.
Além disso, o médico também alerta para o risco de que o uso das canetas seja um gatilho para transtornos alimentares, como anorexia nervosa e bulimia nervosa.
"Terceiro efeito adverso, pode ser um gatilho para transtornos alimentares, como anorexia nervosa e bulimia nervosa, que são condições difíceis de você tratar uma vez instaladas", diz.
O Brasil tem mais de 17 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos com excesso de peso, segundo o Atlas Mundial da Obesidade. Desse total, 7 milhões já são considerados obesos.
O uso de canetas emagrecedoras, porém, deve ser acompanhado por profissionais de saúde. Entre os possíveis problemas associados ao uso estão pancreatite, que é a inflamação do pâncreas; hipoglicemia, caracterizada pela redução da quantidade de açúcar no sangue; e cálculos na vesícula.
Riscos para crianças e adolescentes, segundo a SBP.
Reprodução/Bom Dia Brasil
Canetas compradas no exterior também preocupam
Outro risco apontado pela Sociedade Brasileira de Pediatria é o uso de produtos comprados fora do Brasil.
Em uma das publicações, uma mãe afirma que pretende comprar uma caneta para o filho de 12 anos, que pesa 93 kg, no Paraguai. A caneta citada na reportagem é uma marca cuja venda é proibida no Brasil.
A SBP alerta que não é possível saber com segurança o que há no produto ou qual é a quantidade da substância presente.
"É um perigo porque a gente não sabe o que tem exatamente dentro daquela caneta. A gente não sabe a quantidade, a gente não tem certeza se aquilo é puro, se está contaminado ou não", afirma amédica Maria Edna de Melo, endocrinologista da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).
"Então, tanto a eficácia quanto os efeitos colaterais, eles são imprevisíveis", completa.
A entidade também chama atenção para a pressão estética sobre crianças e adolescentes, que ainda estão desenvolvendo a autoestima e o comportamento.
Segundo a SBP, esse público não deve simplesmente usar as canetas para perder peso rapidamente, atingir padrões estéticos ou compensar o sedentarismo. A recomendação é que o tratamento seja feito com acompanhamento médico.
As canetas emagrecedoras autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) precisam de receita médica. A prescrição fica retida na farmácia no momento da compra.